A questão tibetana

 

O Tibete vem sendo palco de protestos contra os mais de 50 anos de domínio chinês. O governo da região autônoma, apoiado por Pequim, afirma que 16 pessoas morreram nos confrontos do fim de semana, mas autoridades do governo tibetano no exílio dizem que pelo menos 80 perderam a vida nos choques com a polícia.

Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês. Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão dos tibetanos.

Os protestos têm sido apontados como os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos e ocorrem a menos de cinco meses da Olimpíada, o maior evento internacional da história da China. Entidades que defendem diferentes causas – do fim da pena de morte ao combate do genocídio em Darfur, no Sudão – vêem uma oportunidade no momento atual para pressionar o governo de Pequim a mudar sua posição em relação à questão de direitos humanos. Se depender deles, a pressão vai aumentar à medida que os Jogos se aproximem.

Quase metade dos 5,4 milhões de tibetanos está espalhada nas províncias de Qinghai, Gansu, Sichuan e Yunnan, que ficam próximas ou fazem parte do Platô Tibetano – o “teto do mundo”, com altitude média de 5 mil metros. A maior província da China, Xinjiang, é dominada pela minoria muçulmana e também é explosiva pela atuação de um movimento separatista que defende a criação do Estado do Turcomenistão do Leste. Depois de Xinjiang, a maior província é o Tibete.

 A unidade territorial está no topo das prioridades do governo chinês, ao lado da estabilidade política e do crescimento econômico. A China se esforça para transmitir uma imagem de harmonia entre a maioria chinesa han e as 55 etnias minoritárias que habitam o país e representam 8,4% da população – grupos com religião, língua e cultura próprias, como os tibetanos. Essas “minorias étnicas” ocupam 60% do território chinês, em áreas estratégicas de fronteira e ricas em recursos naturais. 

 A China diz que o Tibete faz parte de seu território desde meados do século 13 e deverá ficar sob o comando de Pequim. Muitos tibetanos, no entanto, têm uma outra visão da história. Eles afirmam que a região do Himalaia ficou independente durante vários séculos e que o domínio chinês nem sempre foi uma constante.

Entre 1911 e 1950, por exemplo, o Tibete manteve o status de país independente, até que Mao Tsé-tung comandou a Revolução Chinesa e chegou ao poder no país, em 1949. Em 1963, ganhou status de Região Autônoma, e hoje conta com um governo apoiado pela China. Em 1989, a causa da independência do Tibete ficou conhecida no Ocidente após o massacre de manifestantes pelo Exército chinês na praça da Paz Celestial. Muitos tibetanos querem a independência de volta, e daí os protestos.

As recentes manifestações começaram no dia 10 de março, exatamente 49 anos depois que os tibetanos encenaram um levante contra o poder chinês. Houve demonstrações em vários países e monges do monastério de Drepung, nas cercanias da capital Lhasa, também aderiram ao movimento. Os protestos logo ganharam a adesão dos tibetanos.

Fatores econômicos também desempenham um papel importante. Muitos tibetanos dizem que um número crescente de imigrantes chineses da etnia majoritária han chegam à região e conseguem os melhores empregos. Eles acreditam estar excluídos dos benefícios dos avanços econômicos desfrutados por outras províncias costeiras da China e dizem sofrer com os efeitos da crescente inflação no país.

O governo chinês mantém pouco diálogo com o governo tibetano no exílio, com base na Índia. As negociações nunca avançaram e provavelmente não devem avançar no futuro – o abismo entre as duas partes é imenso. A China diz que os tibetanos no exílio, liderados pelo Dalai Lama, só estão interessados em separar o Tibete da terra mãe. O Dalai Lama diz querer nada mais do que a autonomia da região.

O domínio chinês sobre a província de Xinjiang, no oeste do país, é tão controverso quanto o do Tibete, mas não conta com a mesma notoriedade. Talvez uma das razões pelas quais os ocidentais saibam sobre os problemas do Tibete é por causa do Dalai Lama. Desde que fugiu do Tibete depois do fracasso do levante, em 1959, o líder espiritual dos tibetanos viajou o mundo para advogar por mais autonomia para sua terra natal, sempre enfatizando que não defendia a violência. Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1989.

Os governantes chineses certamente não querem nenhum derramamento de sangue a apenas cinco meses do início dos Jogos Olímpicos, e vão tentar evitar qualquer situação que lembre o que aconteceu em Mianmar em 2007. Por outro lado, eles não querem dar espaço aos monges e a outros manifestantes por medo de que isso seja interpretado como um sinal de fraqueza e acabe levando a mais protestos.

 

 Vídeo Tibet

http://www.youtube.com/watch?v=9kzNWi5h8Hs

 

 REFLEXÃO: Vai ser muito díficil a China perder o ´Tibete, pois faz parte do CS da ONU e sendo assim, não vai vetar para prejuízo próprio. E ai, quem ganha essa luta? China ou Tibete? Nós achamos que a China, pois mesmo com os protestos isso não vai ser tão reelevante e também, porque a China é uma superpotência com poder de decisão. E cadê a ONU? Tá assistindo pela TV o noticiário da noite.

 

 FONTE:

http://www.estadao.com.br/geral/not_ger141311,0.htm

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