Sudão e a catástrofe humanitária de Darfur

A guerra civil que afeta o sul do Sudão praticamente desde sua independência, em 1956, atingiu um novo patamar com a catástrofe humanitária que se esboça na região de Darfur, no oeste do país.

O Sudão é o maior país africano e viveu alguns períodos democráticos anárquicos e longas ditaduras militares repressivas, oriundas de golpes de Estado: o general Nimeiri governou o país de 1969 a 1985 e o general Omar el-Bechir governa desde 1989. Ambos iniciaram regimes de esquerda, mas para obter apoio financeiro das petromonarquias árabes, evoluíram para regimes islâmicos, implantando a Sharia, a lei islâmica, o que fomenta a revolta da desatendida região sul.

Além disso, o país sofreu a influência dos conflitos da Etiópia/Eritréia nos anos 70-80 e do Tchad nos anos 80, cujos governos apoiaram grupos rebeldes dentro do Sudão. Para complicar, em 1990 o país apoiou o Iraque e teria hospedado Bin Laden. Mas após os atentados contra as embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia, em 1998, os EUA lançaram um ataque de mísseis contra uma indústria em Kartum. Da mesma forma, para evitar o isolamento internacional, o governo sudanês entregou o famoso terrorista dos anos 70, Carlos, o Chacal, ao governo francês. Assim, o Sudão sempre foi considerado parcialmente como “Estado pária” (rough state).

Com a descoberta de petróleo no centro-sul e a exploração iniciando no ano 2000, o governo buscou uma negociação com os guerrilheiros do Exército Popular de Libertação do Sul

A guerra civil no sul causou 1 a 2 milhões de mortos (a maioria pela fome) e 4 milhões de pessoas deslocadas. A região foi esquecida durante a guerra entre o governo e os rebeldes sulistas, mergulhou no caos, com enfrentamentos tribais e uma explosão demográfica (a população dobrou em 20 anos). Em fevereiro de 2003 foi criada a Frente de Libertação de Darfur, transformada em Exército de Libertação do Sudão, que lançou uma ofensiva fulminante contra o governo com modernos Toyotas. Os rebeldes se dividiram em dois movimentos rivais e perderam terreno, enquanto aldeias são destruídas.

Os EUA exigiram sanções contra o regime e o secretário geral da ONU, Kofi Annan, ameaça com uma intervenção internacional para evitar uma tragédia humanitária. Os países europeus se manifestaram favoravelmente, mas a China ameaça vetar uma resolução neste sentido. Vale lembrar que a China recebeu concessões do governo sudanês para explorar petróleo no sul da região de Darfur. Assim, mais uma crise internacional está emergindo num dos países mais pobres e sofridos da África.

Vídeo – O que é o Sudão?

http://www.youtube.com/watch?v=lNEh4v6Bwgs

 

 REFLEXÃO: Trata-se da aceitação do envio de militares da ONU e de polícia para reforçar a força de manutenção da paz da União Africana em Darfur.  O Sudão tem estado sob uma forte pressão internacional para aceitar os militares da ONU. O governo de Cartoum aceitou o envio de três mil militares, mas continua a opôr-se à força de vinte mil militares, proposta pelo antigo Secretário-Geral, Kofi Annan. “Assistimos a uma visão bastante forte e unida. É um pequeno progresso, mas precisamos ver muito mais para a paz e segurança e para a resolução da crise humanitária em Darfur.”

 FONTES:

http://educaterra.terra.com.br/vizentini/artigos/artigo_168.htm

http://www.brasildefato.com.br/v01/impresso/anteriores/166/internacional/materia.2006-05-10.6773329534

Uma resposta to “Sudão e a catástrofe humanitária de Darfur”

  1. Marcos Roberto Rosa Says:

    Olá, Eu analiso a situaçao do Sudan como um erro de pessoas que deveriam dar proteçao ao seu povo. afim de satisfazerem seus interesses não se importam com a vida do seu proximo.

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